📘 FAQ – Tesouro Direto IPCA+: Taxas, Preços e Decisão de Troca
Este documento reúne perguntas e respostas práticas sobre Tesouro IPCA+, com foco em decidir quando vale a pena manter, vender ou trocar títulos, especialmente em cenários de variação de juros reais.
O objetivo é servir como base educacional para investidores que buscam otimizar o ganho real e a eficiência tributária.
1. Qual é a diferença entre a taxa contratada do meu título e o “rendimento do título” mostrado no site do Tesouro?
Taxa contratada (ex: IPCA + 5,86%)
- É a taxa real que você travou no momento da compra.
- Define seus cupons e o valor no vencimento.
- Nunca muda se você levar o título até o fim.
Rendimento do título (ex: IPCA + 7,16%)
- É a taxa real de mercado hoje.
- Usada apenas para calcular o preço de resgate hoje.
- Representa o retorno de quem comprar esse título agora.
📌 Elas não entram em conflito: servem a propósitos diferentes.
2. Por que o rendimento do título pode ser maior do que a minha taxa contratada?
Porque as taxas reais de mercado subiram desde a sua compra.
Quando isso acontece:
- seu título antigo fica menos atrativo;
- o preço dele cai (marcação a mercado);
- o rendimento mostrado sobe.
📉 Preço baixo = Juros reais altos.
3. O preço unitário de resgate é realmente o valor que o Tesouro vai me pagar?
✅ Sim.
O preço unitário de resgate é exatamente:
- quanto você recebe hoje ao vender o título antecipadamente;
- calculado descontando todos os fluxos futuros pela taxa de mercado atual.
📌 Se você não vender, esse preço é irrelevante para o valor final no vencimento.
4. Se o preço de resgate está baixo, isso não significa que vou conseguir comprar poucas unidades do novo título?
❌ Não.
Esse é o erro mais comum. Quando o preço do seu título está baixo:
- o novo título também está barato;
- ambos refletem o mesmo nível alto de juros reais.
👉 Você vende barato e compra barato. 👉 O que muda é a taxa real travada para o futuro.
5. Então por que o preço unitário importa na decisão de troca?
O preço unitário define o custo fiscal da operação. Ao vender, você antecipa o pagamento do Imposto de Renda, reduzindo o capital que será reinvestido.
IR = Alíquota × (Preço de venda − Valor investido)
⚠️ Atenção à Tabela Regressiva: O tempo de permanência é crucial.
- Menos de 6 meses: 22,5% de IR
- 6 meses a 1 ano: 20%
- 1 a 2 anos: 17,5%
- Acima de 2 anos: 15%
📌 Trocar um título com menos de 2 anos geralmente destrói valor devido à alíquota alta.
6. O que é o break-even de uma troca de título?
É o tempo necessário para o ganho de taxa real do novo título compensar os custos da transação.
Diferente do que muitos pensam, o custo não é só o IR. Existe o Spread do Tesouro (a diferença entre a taxa que o Tesouro paga para comprar seu título e a taxa que ele cobra para vender um novo).
Custo real da troca:
- IR pago antecipadamente (perda do diferimento fiscal).
- Spread de compra/venda (aprox. 0,12 p.p. na taxa).
Fórmula conceitual simplificada:
Break-even (anos) = (Custo Fiscal + Spread) ÷ Diferença de Taxa Real
📌 Se a diferença de taxa for pequena (ex: 0,3 p.p.), o ganho muitas vezes não paga nem o spread.
7. Faz sentido monitorar taxas diariamente e trocar títulos com frequência?
❌ Não.
Trocas frequentes:
- Reiniciam a contagem da tabela regressiva do IR.
- Pagam múltiplos spreads ao Tesouro (custo invisível).
- Reduzem o retorno líquido final.
📌 Tesouro IPCA+ não é instrumento de day trading.
8. Então quando vale a pena trocar um Tesouro IPCA+?
Trocas fazem sentido quando ocorre uma mudança estrutural de taxa real.
Regra empírica segura:
- Diferença de taxa ≥ 0,8–1,0 p.p. real (já descontando o spread).
- IR já na alíquota mínima (15% - título com +2 anos).
- Prazo do novo título compatível com seu objetivo.
- Intenção de carregar por muitos anos.
Esses eventos são raros, mas muito valiosos para travar taxas historicamente altas.
9. Trocar um título com juros semestrais por um sem cupom faz diferença?
✅ Sim, estruturalmente.
Juros semestrais (Com Cupom):
- Geram fluxo de caixa, mas antecipam IR a cada 6 meses.
- Reduzem a “duration” (sensibilidade à taxa).
- Exigem trabalho de reinvestimento manual.
IPCA+ Principal (Sem Cupom):
- Capitaliza juros sobre juros (efeito bola de neve).
- Maior volatilidade (melhor para ganho de capital na queda de juros).
- Difere o IR para o final, maximizando o ganho composto.
📌 Para construção de patrimônio, o Principal é matematicamente superior.
10. Vale a pena esperar o preço do título subir para fazer a troca?
❌ Geralmente não.
Para o preço subir, a taxa real precisa cair — e isso fará a taxa do novo título cair também. Ao esperar o preço subir, você perde a oportunidade de travar a taxa alta no novo contrato.
📌 Preço e taxa andam em sentidos opostos.
11. Existe compensação de prejuízo fiscal em Tesouro IPCA+?
❌ Não.
Diferente da Renda Variável (Ações/FIIs), na Renda Fixa para Pessoa Física:
- Se vender com prejuízo (Preço de Venda < Valor Investido), não há imposto, mas o dinheiro perdido “desaparece”.
- Não é possível abater esse prejuízo de lucros futuros.
⚠️ Nunca venda com prejuízo se o objetivo for apenas troca tática. A perda se torna permanente.
12. O que é “Duration” e por que ela importa para o ganho de capital?
Duration é o prazo médio de recebimento do dinheiro e mede o risco do título.
- Duration Longa (Vencimentos distantes, ex: 2045): Sofrem muita variação de preço. São os melhores títulos para buscar “Ganho de Capital” (valorização forte) caso os juros futuros caiam.
- Duration Curta (Vencimentos próximos): Preço varia pouco. São instrumentos de conservação de valor, não de multiplicação agressiva.
13. O que é a estratégia de “Escada” (Laddering)?
É a prática de não concentrar todo o dinheiro em um único vencimento, dividindo o capital em prazos diferentes (ex: 2029, 2035, 2045).
Vantagens:
- Reduz o Risco de Reinvestimento (não ter todo o dinheiro vencendo numa época de juros baixos).
- Garante liquidez periódica.
- Equilibra a volatilidade da carteira.
14. Quando devo me livrar de um título curto (ex: faltando 2 anos para vencer)?
Quando o objetivo é proteger o capital da inflação por longo prazo, títulos muito curtos tornam-se ineficientes:
- Perdem a proteção contra a marcação a mercado (comportam-se quase como um CDB pós-fixado).
- Trazem o risco de vencerem em um momento ruim de mercado.
📌 Estratégia de Rolagem: Investidores experientes vendem o título curto (desde que o IR já seja 15%) para comprar um longo novamente, mantendo a duration da carteira sempre alta.
15. Uma ferramenta automática deveria gerar alertas em quais situações?
Alertas úteis para gestão ativa:
- 🔔 Diferença de taxa ≥ 1,0 p.p. (considerando spread).
- 🔔 Título atual entrou na alíquota de 15% de IR (janela de oportunidade aberta).
- 🔔 Break-even da troca < 4 anos.
- 🔔 Troca de “Com Cupom” para “Sem Cupom” gerando ganho de taxa real.
- 🔔 Alerta de vencimento próximo (sugestão de rolagem para duration mais longa).
16. O que é o “Risco de Reinvestimento”?
É o risco do seu título vencer (ou pagar cupom) e você ser obrigado a reinvestir esse dinheiro em um momento onde as taxas de juros estão muito baixas (ex: IPCA + 3%).
Isso destrói a rentabilidade de longo prazo da carteira. Como evitar: Priorizar títulos IPCA+ Principal (sem cupom) e com vencimentos mais longos (ex: acima de 10 anos).
17. Com que frequência faz sentido reavaliar a carteira de Tesouro?
- Investidor comum: trimestral ou semestral
- Carteiras grandes: mensal
- Diário: ❌ ruído
🧠 Regra final
O maior inimigo do retorno no Tesouro Direto não é a inflação, mas a impaciência.
Boas decisões vêm de:
- Matemática simples (Spread + IR < Ganho de Taxa).
- Eficiência Fiscal (Evitar girar patrimônio no curto prazo / tabela regressiva).
- Constância (Aportar mensalmente para capturar a taxa média do mercado).